domingo, 19 de outubro de 2008

Aquilo que era meu!

Era...
Meu... Nosso
Aquilo é meu
Aquilo ainda existe
Aqui
Ali
Em mim
Não, nada morre assim

De quem aquilo é?
É de quem está ali
É de quem quer

Foi perdido?
Para quem??
Quero de volta
Minha espada
Meus filhos
Meu camafeu
Meu escritório
Meu cabelo
Minha estrela

Não, não posso recuperar
Já não é mais pra mim
Mas me rasgou
Ali sangrei
Ali chorei
Ali amei
Ali... ali... ali
Ali aprendi
Mais do que tudo

Ali conheci todos vocês
E agora aqui amo todos vocês
Da sombra mando uma lembrança
Mas, por favor, não me deixem esquecer

E se for possível
Às vezes lembrem de mim também

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Despencando em linha reta!

Eu que sou tantas vezes eu
Tantas vezes cansado
Tantas vezes chato
Reclamando
Falando
Pensando
Sendo apenas eu
Que deixou de aprender
Que se deixou levar pelo momento
Eternamente pelo mesmo momento
Se deixou por deixar
Por estar
Sentado
Esperando.

Quando quase acabou
Acordado
Chorando
Sempre, e tantas vezes eu.
Quanto desata o nó da garganta
Sem desatar
Jogando fora
Não vê
Não aproveita
Quando se perde, se aperta
Se esvazia e sofre
Pelo amor de se sentir vivo.

Quando o sofrimento se torna alegria
Se torna dúvida
Se afoga num mar de aguás amargas
Prendendo a língua em outras bocas.
Juntando o corpo com o infinito.
E a alma descendo pelo ralo da pia.
Pingando o suor
Esvaindo o peito
O coração
O sangue
Daquelas épocas desaparecidas nas novas vivências!

Despejando palavra atrás de palavras
Numa ordem confusa e inconcisa
Sem rimas nem versos
Mas entendendo a alma
Como arma
Como ar

Sendo o que és
Despejando sua falta num mesmo caminho
E sendo deque falo
E porque calo
Não caio
E subo
E perco o caminho
E não me reconheço sozinho
A sós no escuro
De um mundo preto, branco e azul anil

Sendo tantas vezes eu
Só eu!




--- Talvez uma inspiração em Álvaro de Campos??? É... talvez!