S- Eu olhei para o céu na noite passada.
A- E você se reencontrou?
S- Não! Mas pude rever o caminhos que eu queria seguir.
A- Sua vida traçada a anos-luz daqui... Não é um tanto longe?
S- Pelo menos é mais perto de onde eu gostaria de estar às vezes.
A- Se chegasse perto desse lugar você não voltaria mais.
S- ... Talvez.
A- Mas enfim você recolheria seus pedaços espalhados pelo céu.
S- Ou os deixaria cair, como cometas, e enfim eu choveria.
A- Molhando o mundo com seus pedaços.
S- E poderia finalmente tocar a todos de uma vez só.
A- E ser tragado para a terra.
S- Quem sabe ser misturado com as lágrimas de quem nunca chorou.
A- Escorrendo dos telhados do mundo.
S- E assim seria o meu passeio pelo espaço!
A- Terminando por sumir de vez.
S- Tudo o que desce, sobe.
A- E torna a descer.
S- Ciclicamente.
A- Ciclicamente melancólico, sem nunca ser algo de verdade.
S- Me transformando sempre nas mesmas coisas.
A- É assim que você vê a eternidade?
S- Não!
A- Mas talvez seja assim que ela se faça.
S- Como poemas engavetados.
A- Como palavras nunca publicadas.
S- Assim é que se marca o mundo?
A- Não, mas é assim que o mundo marca você.
S- E você se marca no mundo.
A- Em nenhum dos caminhos há como voltar atrás. As palavras materializam tudo o que você evita pensar.
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
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