terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Diálogos que vem e nunca vão I - Sem fim

S- Eu olhei para o céu na noite passada.

A- E você se reencontrou?

S- Não! Mas pude rever o caminhos que eu queria seguir.

A- Sua vida traçada a anos-luz daqui... Não é um tanto longe?
S- Pelo menos é mais perto de onde eu gostaria de estar às vezes.

A- Se chegasse perto desse lugar você não voltaria mais.

S- ... Talvez.

A- Mas enfim você recolheria seus pedaços espalhados pelo céu.
S- Ou os deixaria cair, como cometas, e enfim eu choveria.

A- Molhando o mundo com seus pedaços.

S- E poderia finalmente tocar a todos de uma vez só.

A- E ser tragado para a terra.

S- Quem sabe ser misturado com as lágrimas de quem nunca chorou.

A- Escorrendo dos telhados do mundo.

S- E assim seria o meu passeio pelo espaço!

A- Terminando por sumir de vez.

S- Tudo o que desce, sobe.

A- E torna a descer.

S- Ciclicamente.

A- Ciclicamente melancólico, sem nunca ser algo de verdade.

S- Me transformando sempre nas mesmas coisas.

A- É assim que você vê a eternidade?

S- Não!

A- Mas talvez seja assim que ela se faça.

S- Como poemas engavetados.

A- Como palavras nunca publicadas.

S- Assim é que se marca o mundo?

A- Não, mas é assim que o mundo marca você.

S- E você se marca no mundo.

A- Em nenhum dos caminhos há como voltar atrás. As palavras materializam tudo o que você evita pensar.